terça-feira, 28 de março de 2017

JUNG: Explicando BTS pela Psicologia Analítica

Olá, Army, hoje vou tentar explicar algumas coisas sobre as teorias do BTS usando minha última aula da disciplina de Psicologia da Educação. A aula foi sobre Carl Gustav Jung (se pronuncia Iung, não como o nome do Hoseok, não pira, gente kkkk), fundador da psicologia analítica.
Para começar, preciso explicar porque esse cara é relevante para nós. Muitos de vocês sabem que o livro Demian, de Hermann Hesse, é uma das inspirações declaradas do Bangtan, afinal, temos trechos inteiros da obra de Hesse em cada short film de Wings, além de várias referências indiretas. Eu queria ter lido os outros livros e assistido os filmes que estão relacionados à teoria, mas só tive tempo para Demian, por enquanto. A questão é que Hesse, ao escrever esse livro, foi inspirado pela Psicologia Analítica de Jung, que eu estudei. Por isso, acho que alguns pontos de Jung podem nos ajudar.



PRIMEIRA PARTE: OS POLOS

Vamos começar pelo básico da Psicologia Analítica, que diz que a psique (mente) está dividida em DOIS POLOS DISTINTOS. Esse também é o princípio de Demian, que trata esses dois polos como dois mundos. Para Jung, os dois polos da mente são a consciência e a inconsciência. Hesse interpretou isso trazendo esses dois mundos. O luminoso seria a consciência (a parte da mente que é “visível”) e o sombrio a inconsciência (a parte oculta da mente).

Três dos sete trechos escolhidos para Wings nos falam bem sobre esses mundos:
Begin, sobre os reinos do dia e da noite;
Lie, sobre o primeiro mundo;
Reflection, sobre o outro mundo.

De fato, as descrições dos mundos lembram os dois polos da mente. Tudo na nossa consciência é correto, enquanto o inconsciente guarda as piores partes do nosso pensamento. Jung diz, ainda, que a consciência está dentro da inconsciência. Passando para Demian, seria o mesmo que dizer que o mundo luminoso está dentro do sombrio. Embora Hesse nos diga que os polos se misturam, dá pra perceber essa relação: o mundo luminoso é representado pela casa. O sombrio começa ainda dentro da casa, mas tudo do lado de fora também faz parte dele. Então temos essa questão de interno e externo.

Meu professor trouxe ainda a questão de persona e sombra, que eu não sei se cabe aqui, mas acho interessante citar: A persona é a máscara que usamos frente à sociedade (o bom comportamento, como citado em Lie). Já a sombra é a nossa parte “insuportável”, ou seja, ruim, e tudo o que é ruim se atribui ao mundo sombrio.



SEGUNDA PARTE: A IMAGEM


Outra noção que apareceu em meus estudos foi sobre a imagem. Aqui, vamos explorar dois personagens especificamente: Namjoon e Hoseok. Tentarei responder às seguintes perguntas.

Por que J-Hope dorme o tempo todo?
Por que Rap Monster é louco?
Por que Jin e V têm doenças mentais?

Não vou começar por ninguém específico, porque está tudo ligado ao mesmo conceito de imagem. A imagem é importante para nós porque se opõe à razão. A razão surge na história junto com a escrita, quando verbalizamos nossos pensamentos. Antes disso, o que havia? Pensávamos apenas com as imagens, não com as palavras. Daí, a palavra IMAGINAR. Não estamos produzindo nenhum texto quando imaginamos, estamos? Com a palavra, surge a noção de razão. Então, temos a seguinte relação:

Imagem X Razão

Quando dormimos, é o momento em que a razão deixa de predominar, e ficam as imagens. Por isso, o sonho é muito mais imagético do que verbal, e também não é racional. Está associado à fantasia, porque as imagens que produzimos não são reais. Então, melhorando nossa oposição:

Sonho X Razão

Isso faz algum sentido pra você na história?
Quem é o sonho? J-Hope. Ele dorme por causa da narcolepsia, sim, mas isso não é à toa. É porque o Hoseok está ligado ao sonho. Sua doença tem relação com a mãe, é psicológica.
Quem é a razão? Rap Monster, sempre com a cara enfiado nos livros ou escrevendo letras de música. Sempre usando as palavras. Além de ser o líder, o que pede que ele aja racionalmente.
Não, Hoseok e Namjoon não são inimigos, apenas opostos nessa linha de pensamento.
Já que chegamos ao Nam, vale a pergunta: se ele representa a razão, por que ficou louco?
A noção de loucura varia de acordo com o tempo. Lá na época onde não havia razão, o ato de falar sozinho tornava a pessoa “sábia” perante a sociedade, pois acreditava-se que ela estava se comunicando com forças místicas. Hoje, ela é vista como um problema, uma doença. A gente também sabe que Namjoon é o melhor amiguinho de Abraxas entre os sete. Será que sua aparente loucura não é ele se comunicando com Abraxas? Será que Namjoon não é o mais sábio e racional entre os sete, por ser o único a identificar tal influência?

Falando em loucura e problemas mentais, vocês lembram bem que dois (talvez três, se o Namjoon tiver passado pelo mesmo) dos nossos personagens criaram a ilusão da presença dos que já tinham morrido: V e Jin. Primeiro, quando V só tinha Rap Monster. Depois, Jin, quando acorda do coma e todos estão mortos. Claro que o mesmo fenômeno aconteceu com eles. E isso tem a ver com o quê? Adivinha? Com imagem.
Vamos dizer que nossos olhos enxergam dois lados. O que vemos do lado exterior é matéria, é real. Mas também podemos olhar para o interior e enxergar a nossa psique, nossa mente. Assim, conseguimos imaginar, construir imagens surreais e imateriais. Nosso pensamento é algo imagético, que pode ser visto assim como vemos o mundo ao nosso redor (assim que se formam os sonhos).
O que nossos lindinhos fizeram, basicamente, foi projetar o que viram na psique do lado de fora. projetaram aquilo que eles imaginaram na matéria. Assim, eles veem algo irreal, que é a presença dos meninos, na parte real da visão, que é o mundo.

Acho que é isso que temos por enquanto, amores. Acabei não me aprofundando tanto no Hoseok quanto eu gostaria, mas também não tem por que enrolar vocês. Pelo que eu contei sobre o sonho e a imagem, dá pra vocês entenderem o que pensei sobre isso. Até a próxima, Army!